Rubens Molina


AMJ/DMJ

 Não quero falar da vida, viver não é preciso, mas da Obra já que navegar é preciso. Antes e depois de MJ é marca deixada no chão de estrelas por aquele que foi único no que fez. Tudo o que se faz hoje em qualquer articulação pop tem sua marca inaugural. Qualquer "crossover", inclusive o do Obama lhe é posterior. Qualquer passo deriva ou traz traços do Moonwalk, aquele irresistivel deslizar para trás. Foi o artista mais completo de seu tempo e metia seu bedelho em tudo: Compunha, dançava, cantava, bolava os clipes, etc e etc...

 A notícia de sua morte eclipsou tudo o que estava acontecendo no Mundo: A pandemia, o Imbloglio Iraniano, A bomba da Korea, A crise e a recessão. Desde 11/09/2001 não se via nada deste porte, deste poder de contaminação tão avassalador. Um tsumani Jacksoniano varreu o planeta em todas as direções e sensibilizou populações worldwide.

 A que se deve? É pergunta que vem logo em minha cabeça. Suspeito que ele se parecia mais com aquilo que chamamos de nossa espécie do que gostaríamos de admitir. Nenhum traço de normalidade classe média se notava, não era bonitinho nem gostosinho como o Elvis, ganhava como milionário e gastava como um bilionário. Quem quer ser um milionário ficou overlapped já que ele, querendo o impossível, queria mais. Não se sabe o quanto fez de dinheiro mas ficou "devendo" U$500 milhões, ninharia perto do rombo do subprime e bancos. Se não arrecadar com tudo o que terá ainda a receber, proponho que a dívida seja paga pelo FED por tudo que de inaugural ele foi capaz de produzir. 

 Mike, Obrigado por tudo. Obrigado pela sua sexualidade indiferenciada e próxima das origens e sobretudo por ter morrido na hora certa. GENIAL ESTE SEU DEATHWALK.

              THRILLER             




Escrito por Rubens Molina às 00h53
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A obamanização do mundo


LISBOA - Estou cansado da obamanização do mundo. Inventei agora a palavra. Vocês sabem o que ela significa: a obamanização consiste em substituir a realidade pela fantasia, esperando que nos quatro cantos do globo surja sempre um candidato capaz de imitar a retórica bondosa e evangelista do original Barack.

Aconteceu agora no Irã. Li os jornais disponíveis. Acompanhei as reportagens televisivas. O tom era semelhante: pela primeira vez desde 1979, altura em que Khomeini deixou o seu exílio dourado em Paris para regressar a Teerã, os iranianos iriam escolher novo presidente. Pior: iriam escolher um "moderado" (Mousavi) por oposição a essa grotesca criatura chamada Ahmadinejad.

A fantasia esquecia dois pormenores básicos, quase dolorosos. Primeiro: o Irã não é uma democracia. O Irã é uma teocracia, o que significa que as decisões (iniciais e finais) pertencem ao Líder Supremo, Khamenei.

É o Líder Supremo quem escolhe os candidatos presidenciais. Em todas as eleições, aparecem centenas ao cargo. Esse ano, foram 485 candidaturas. Quatro foram selecionadas, depois de verificação apertada, ou seja, depois de se verificarem os créditos revolucionários dos quatro candidatos, rigorosamente do sexo masculino e rigorosamente muçulmanos xiitas. Mas a influência do Líder Supremo não termina aqui. O Líder Supremo, independentemente do resultado da votação, escolhe o presidente do Irã. Os iranianos que foram às urnas são apenas figurantes de um teatrinho sórdido.

Mas há mais. Nos últimos dias, surgiu igualmente a fantasia de que Ahmadinejad poderia ser derrotado por um "moderado". E quem é o moderado? Precisamente: Mir-Hossein Mousavi, um antigo primeiro-ministro de Khomeini, responsável pela execução maciça de opositores políticos na década de 80 (20 mil? 30 mil?). Alguns jornalistas, sem um pingo de vergonha na cara, chegaram mesmo a acrescentar que Mousavi iria inaugurar um novo período de relações amigáveis com o Ocidente e, pasmem, Israel. Para os relapsos, relembro que Mousavi esteve envolvido no atentado terrorista ao centro cultural judaico de Buenos Aires. Morreram 85 pessoas.

E agora? Agora, coisa nenhuma. A vitória de Ahmadinejad, seguramente forjada, cumpriu na perfeição o roteiro pré-definido pela teocracia iraniana. O que significa que, depois dos Guardas Revolucionários fazerem o seu trabalho, prendendo ou espancando os manifestantes, o Irã continuará o seu glorioso caminho rumo à pobreza, à opressão das suas minorias e, claro, à bomba nuclear, para uso cirúrgico contra Israel. A obamanização do mundo é uma idéia simpática. As idéias simpáticas, pelos vistos, não chegam a Teerã.

João Pereira Coutinho, 32, é colunista da Folha. Reuniu seus artigos para o Brasil no livro "Avenida Paulista" (Record). Escreve quinzenalmente, às segundas-feiras, para a Folha Online.

E-mail: jpcoutinho@folha.com.br
Site: http://www.jpcoutinho.com

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Escrito por Rubens Molina às 04h14
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LEIAM O POETA!

     Não gosto de publicar 2 posts na mesma semana pois as pessoas acabam lendo só o primeiro, foi o que aconteceu . Leram o texto do Ronnie Von mas não o do poeta Ascher  que é até mais engraçado pelo seu medo de voar, façam agora 2 posts abaixo.

    A 1a afirmação de que são nossos medos que nos escolhem e não o oposto dá bem a medida do predomínio do mando do Inconsciente, e aqui cabe lembrar a frase de Roosevelt: "Não devemos temer o medo." Que mal há em ter-se medo? O medo é utilíssimo quando ele não nos paralisa, nos torna mais cuidadosos. Quando nos paralisa é fobia. Somos vítimas do Inconsciente. Somos escravos apesar da Lei Áurea.

    O interessante é que o Ascher não tinha medo até que seu avião não pode pousar em Lisboa devido a um forte nevoeiro e foram pousar no Algarve. Após troca de avião voltaram e tiveram que esperer 2 hs sobre Lisboa onde o comandante informou: " Se o tempo não melhorar "tentaremos" regressar ao Algarve. E mais não podemos dizer porque mais não sabemos." A confissão de ignorância, um tanto descuidada, do piloto fez com que nosso poeta perdesse a confiança na máquina e a partir daí trepidações, caras soturnas e voz em tom suspeito do piloto o perturbavam. Acabara-se a lua de mel com o voar e toda e qualquer tentativa de controlar o incontrolavel resultava em impotência.

    E ainda sobra para a Psicanálise: "Como pode o Sr. ter medo de morrer se nunca morreu?" O mais próprio seria: O Cérebro da espécie não soube, não sabe e jamais saberá sobre a morte, a morte é impossível para nós. Em oposição ao sonho, impossível, do saber absoluto vem a Psicanálise dizer que há a ignorância absoluta. Sem dúvida a constatação é exasperante e é esta a verdade. Muitos se dizem amantes da verdade mas quando ela é revelada se rebelam e a denegam.

    A crença de que voar é uma trapaça espaço-temporal é primitivíssima. Dizer que voar é desafiar a gravidade é outra bobagem e aí estão os pássaros que deram este paço. Voar, tanto no mar quanto no ar, é acordar-se com a Lei da gravidade. Assim como ela nos faz cair ela também nos eleva e nos faz gozar como disse o Ronnie. A crença de que um dia teremos que pagar é acolher o vôo como uma transgressão às Leis da natureza, uma desobediência que será punida. Nada mais infantil e retrógrado em pleno século XXI. HAJA!



Escrito por Rubens Molina às 00h20
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MEDO DE AVIÃO?

NÃO

"No ar, nos aproximamos da divindade"

RONNIE VON

NÃO, EU não tenho medo de viajar de avião. Sou aviador e tenho brevê para pilotar equipamentos (na linguagem aeronáutica, chamamos avião de equipamento) multimotores e à reação. Voar -ao contrário do que dizem por aí- não é só com os pássaros. A sensação do voo é única, um misto de liberdade com adrenalina que não tem nada com o que se possa comparar. Nada. No ar é onde somos mais livres, onde nos aproximamos da divindade...
As diversas mitologias da Antiguidade apresentavam seres e deuses alados, híbridos de ser humano e pássaro. Sumérios, egípcios, nórdicos, hititas, gregos e tantos outros, todos já projetavam em suas lendas o desejo de o homem voar.
A história mais famosa é a de Ícaro -que, ironicamente, também pode ser considerada a primeira catástrofe aérea. Analisando friamente, constatamos que o desastre com o filho de Dédalo aconteceu por pura desatenção e desconhecimento da máquina voadora por parte do "piloto".
Aviões não foram feitos para cair, mas para voar. O feito do Campo de Bagatelle foi um dos maiores divisores de águas da história: o futuro chegou quando o 14 Bis voou pela primeira vez. Aqueles sete segundos de voo instável mudaram para sempre os rumos da humanidade. Foi concedido ao homem um privilégio outrora apenas dos seres alados: voar.
Desde então, os céus de nosso planeta têm visto uma quantidade cada vez maior de inacreditáveis aeronaves, que transportam pessoas, cargas, fazem a guerra e levam a paz.
É curioso como viajar de avião é uma experiência que gera reações extremas. Não conheço uma pessoa sequer para quem voar seja uma coisa trivial. Ou se ama ou se odeia.
Tragédias como as do voo 447 sempre geram comentários do tipo "hoje em dia tem caído muito mais avião que antigamente". No entanto, a verdade (os números estão aí) é que, dos meios de transporte, o avião continua imbatível na questão segurança.
Eu poderia gastar linhas e mais linhas com estatísticas que ratificam tal afirmação, mas prefiro uma comparação prosaica para ilustrá-la: nos EUA, no ano passado, morreram mais pessoas em decorrência de picadas de abelha do que em acidentes aéreos.
Carros, trens, ônibus e até navios matam muito mais que aviões. Mesmo assim, a maioria das pessoas continua utilizando esses meios de transporte sem medo. Resumindo todos os números a um único dado: de cada 1.400.000 voos que decolam no planeta, apenas 1 se acidenta.
Todo mundo sabe da segurança que o avião proporciona, pois as estatísticas são repetidas à exaustão a cada desastre aéreo. Porém, milhares de pessoas morrem de medo de voar. Aerofobia, um mal do qual muita gente sofre. Um medo irracional e incontrolável. Mas por quê? Por que tanta gente tem horror a viajar de avião?
Há um fator que considero uma das chaves fundamentais para tentar entender essa fobia: o simples ato de voar, por si só. Estar com os pés no chão -nos sentidos literal e figurado- para muitos dá uma sensação de segurança maior do que voar. E o ser humano, em geral, gosta de estar no controle da situação, seja ela qual for.
No caso de um acidente envolvendo qualquer outro meio de transporte, as pessoas se consideram mais aptas e capazes de escapar. Já no avião, aqueles que têm medo se sentem vulneráveis e suscetíveis. Um comandante de navio, um motorista de ônibus ou um maquinista de trem têm tanta responsabilidade pela vida de seus passageiros quanto um piloto, mas nenhum deles carrega nas costas carga tão pesada de expectativas.
Isso tudo pode ser mero devaneio.
Se nem os especialistas têm uma resposta definitiva para os porquês do medo de voar, quem sou eu para decifrar as razões dessa ou daquela fobia?
Cabe aqui uma confissão: o fato é que -assumo-, até para mim, que não tenho medo de avião, os acidentes aéreos causam comoção maior do que qualquer outro desastre com meios de transporte coletivos. Por quê? Talvez pelo envolvimento visceral que tenho com a aviação, não sei.
Apesar de o medo de voar ser racionalmente infundado, o ser humano não é feito só de razão. E as tragédias eventualmente acontecem. Contra elas, números ou dados em defesa da segurança dos aviões não valem de nada. Fica aqui o meu respeito e a minha solidariedade às pessoas que perderam entes queridos no acidente com o Airbus da Air France.


RONALDO LINDENBERG VON SCHILGEM CINTRA NOGUEIRA , 64, o Ronnie Von, formado em economia, é músico e apresentador de TV, além de aviador.



Escrito por Rubens Molina às 17h37
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MEDO DE AVIÃO?

SIM

"Porque mais não sei"

NELSON ASCHER

HOMEM QUE é homem não tem medo de nada. Como essa subespécie, porém, devia achar indigno até fugir de um tigre-de-dente-de-sabre ou se abaixar durante um tiroteio, poucos de seus genes chegaram ao presente.
Assim, descendemos quase todos de gente que, dotada de espinhas mais flexíveis, passou adiante o instinto de sobrevivência. Se bem que nos sejam úteis, nem por isso escolhemos sábia ou racionalmente nossos medos e sua intensidade. A rigor, nem sequer os escolhemos: eles nos escolhem. Fosse-me dado optar, preferiria temer bicicletas ergométricas.
Filho da grande época da exploração espacial, eu, desde os 11 anos, viajava de avião tão despreocupado quanto um paulistano que só morou em edifícios ao tomar o elevador. Isso mudou 13 anos mais tarde.
Minha viagem daqui a várias capitais europeias e Nova York começou com um voo normal rumo a Lisboa.
Quando, no entanto, pousamos, numa manhã clara de inverno, anunciaram-nos que o aeroporto ao qual chegáramos era o de Faro (no Algarve, sul de Portugal). Ocorre que, uma vez por ano, sobe do Tejo uma bruma que, de tão densa, não permite aterrissagens nem com instrumentos, exceto, talvez, com uma bengala branca. E a daquele ano coincidira (é claro) com minha chegada. Ao meio-dia embarcamos em outro aparelho e, 30 minutos depois, sobrevoávamos (sem vê-la) a capital lusitana.
O capitão aproveitou para nos reconfortar, informando-nos de que aguardaríamos cerca de duas horas pela oportunidade de pousar; havia, aliás, outros aviões por ali, em situação idêntica, mas não nos preocupássemos, pois cada qual circulava a uma altura diferente.
Disse também que, se o tempo não melhorasse, tentaríamos (repito o verbo: tentaríamos) regressar ao aeroporto de Faro e, após acrescentar que a troca de aparelhos se devera a problemas técnicos com o que nos trouxera do Brasil (alguém queria saber?), ele arrematou inesquecivelmente: "E mais não posso dizer porque mais não sei".
Há um momento em certas relações quando a mulher, chegando em casa, desculpa-se pelo atraso alegando, com naturalidade, que encontrara tal ou qual amiga no cabeleireiro, mas o marido, por vias acidentais e independentes, sabe que a amiga em questão está fora da cidade.
Para mim, aquele foi o momento preciso em que minha confiança inocente nas máquinas de voar se evaporou. E, embora os voos seguintes da viagem possam ter sido impecáveis, comecei a notar algo de errado ou estranho em cada um deles: aqui, uma trepidação inesperada, ali, a cara soturna de uma aeromoça ou um tom suspeito na voz do piloto.
Passei seis anos sem voar e, quando voltei a fazê-lo, foi não graças a terapias e à psicanálise (com seus argumentos exasperantes: "Como você pode ter medo de morrer se nunca morreu?"), mas lançando mão de recursos consagrados, como ansiolíticos ou álcool. Dizia-se outrora que não há ateus nas trincheiras, e seu número decerto míngua 10 km acima do chão, onde uma das formas que a divindade pode assumir é a líquida.
Convém lembrar que, antes de serem guilhotinados, os criminosos franceses tinham direito a uma dose de conhaque e a um charuto. Já os condenados a viajar são tratados mais impiedosamente: tabaco, nem pensar, e, na classe econômica, nada de conhaque tampouco.
Não preciso ler estatísticas ou a literatura especializada para saber que minha fobia é irracional, ou melhor, menos racional do que seria evitar carros, trens e diversos restaurantes, para nem falar do próprio tabagismo.
Como a explico para mim mesmo?
Acostumados, há 100 mil anos, que estamos a andar sobre a terra associando certo tempo e esforço físico a determinada distância percorrida, talvez nos deitarmos em São Paulo para acordarmos em Paris soe bom demais para ser verdade e sugira uma trapaça espaço-temporal pela qual, cedo ou tarde, teremos que pagar.
Talvez o que há de tudo ou nada na maioria dos desastres aéreos nos impeça de, em nosso íntimo, negociar com o destino penas menores que a capital.
Seja como for, enquanto sobram explicações, seguem faltando curas e remédios eficazes. E mais não posso dizer porque mais não sei.


NELSON ASCHER, 51, é poeta, ensaísta e tradutor. É autor, entre outras obras, de "Parte Alguma" (2005, Cia das Letras).

 



Escrito por Rubens Molina às 03h37
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