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101 OU 103 TANTO FAZ COMO TANTO FEZ!

Estava eu preparado para escrever a respeito dos ataques que o Estado vem, insidiosamente, fazendo às nossas já parcas liberdades, quando me deparo com a notícia da morte de Dercy Gonçalves. Esta que soube tão bem desfrutar das suas, ainda que na base do escracho e do xingamento se necessário fosse. Pensei que falaria da ausência de Liberdade e, não é a 1a vez que isto ocorre, falarei do seu oposto graças à Dercy esta mulher cheia de graças sem que o senhor esteja convosco. Era notícia + ou - esperada e não me provocou surpresa e nem tristeza. É morte para ser comemorada com muitas gargalhadas e nenhum pesar. Já ri muito vendo os vídeos dela no You Tube, em especial a 2a parte de sua apresentação no Jô 11 e meia quando fala, coisa rara, de sua Análise com muita propriedade. Vejam:
http://br.youtube.com/watch?v=XQZ4j1iBcgA&feature=related

Dercimar, sua filha, ainda há pouco na porta do Hospital dizia estar triste mas não infeliz e lembrou-se do que sua mãe lhe disse: "Nós temos que ser felizes nem que seja na base da porrada." Não havia lugar para a infelicidade em nossas vidas. Mestra na arte de viver, morreu lúcida e rápido e ainda ontem tinha ido ao bingo, o derradeiro, brincar e zombar de sua sorte. Gozou até o último dia e ainda dizia nada saber de sexo, o sexo dela era outro... dos bão!

Dercy fez parte da minha vida desde a infância e na Adolescência a assisti muitas vêzes no Teatro, saia sempre extasiado. Comediante de estilo único, sem comparação com quem quer que seja. Uma vez irritada com alguma pergunta a respeito de sua idade e/ou morte disse: VOU MORRER QUANDO EU QUIZER, PORRA! HOJE, 19/07/2008, ELA QUIZ.
AVE DERCY
CHEIA DAS GRAÇAS
QUE PARA SEMPRE SEJAS LOUVADA!

O Grupo de estudos e Leitura convida a todos os interessados,
a participar do Início da Re-Leitura Da Arte do Gozo-Ars Gaudendi.
Trata-se do Falatório de 2003 de MDMagno. Ed. Novamente.
Dia 24/07/2008 às 21:30hs via Teamspeak2, mais informações:
Tel: 21 33223007 ENCAMINHEM ESTE EMAIL PARA SEUS CONTATOS. Desde já obrigado, Rubens Molina
Escrito por Rubens Molina às 01h02
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DESANIVERSARIANDO...

Sexta, 11/07, completei 65 tórridos invernos e hoje já desaniversariando à la Lewis Carrol, comemoro com todos nesta festa virtual. Estes bolos russos devo à gentileza da Lúcia Angélica que me enviou em pps e converti em fotos. Quem quizer a coleção completa é só pedir que eu mandjo! Escolhi aqueles que têm a minha cara. Leiam também os emails que recebi daqueles que se lembraram. Quem não se lembrou que se toque agora e deixe sua mensagem de feliz desaniversário, que eu gostcho!BOM APETITE VISUAL E VIRTUAL...

Molina, FELIZ ANIVERSÁRIO!!!!!!!!!!!!!!!!!
Te desejo muitas alegrias, hoje e sempre!
No anexo te envio um monte de bolos para comemorar o seu
aniversário, pela maquininha mas com o pensamento perto.
Tudo de bom e de melhor; abraços, Lúcia
Um brinde ao Molina!
Olha só o tamanho do Muro! ( É A FOTO DE UMA ESCULTURA QUE ELE FEZ )
Forte abraço,
Odir
Molina, tudo de bom para você hoje e todos os dias.
Abraços,
Luiza
OI,MOLINA,
PARABENS!!!!!!!!!!!
HAPPY BIRTHDAY
BJ,VERA
Semana que vem continuarei desaniversariando. VOLTEM SEMPRE!
Escrito por Rubens Molina às 22h54
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POBRE NOVIÇA INGRID!

Não sou ingênuo e não tenho mais idade para ficar chocado com que o Homem pensa, diz e faz. Entetanto, fiquei muito irritado com D. Ingrid quando de sua 1a fala ao descer do avião. Vejam abaixo:
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM850117-7823-INGRID+BETANCOURT+FAZ+SEU+PRIMEIRO+PRONUNCIAMENTO+APOS+LIBERTACAO,00.html
Washington despejou U$ 5,5 bilhões para re-equipar e re-estruturar o exército colombiano para que a operação pudesse ser traduzida no êxito que, efetivamente, foi. Muitos países pressionaram e em especial a França, onde a pobre Joana Darc dos trópicos já é heroina nacional Franco-Colombienne. Em suma, todos pressionaram e/ou torceram por ela. Esteve nas mãos de Deus e das Farc durante quase sete anos.
Na sessão agradecimentos, quem veio em 1o lugar? Deus e a Virgem, para quem ela rezava todos os dias, e depois a indefectível MAMITA. O lobby aí de cima que se exploda. Não é discurso de um político mas discurso religioso de uma noviça nada rebelde, tipo século XIX. Confesso que esperava mais, com todas aquelas câmeras de meio mundo em tempo real. Que vergonha D. Beata Betancourt! Ser resgatada das profundezas úmidas da cloca amazônica para parir só isto? Este atraso religioso já em fim de festa e em plena xepa? Não lhe conhecia e agora sou obrigado a concordar com seu ex-compatriota Fernando Vallejo, escritor colombiano naturalisado mexicano que disse que a Senhora é ruim e deveria ter permanecido presa. Acrescento: Deveria ter sido deixada nas mãos de Deus e da Virgem, que nada fizeram, mofando no meio do mato. Semana que entra vai lamber as mãos do Papa Rotweiller que foi um dos primeiros a tirar seu sarro de tão "boa" nova.

Vallejo está na Flip onde concedeu a entrevista abaixo que peço que leiam. Chama a noviça de praga e a põe no mesmo saco das Farc e de Uribe.
VALEU VALLEJO! SOU MALUCO MAS NÃO ESTOU SÓZINHO.
http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/post.asp?t=ingrid_uma_pessoa_feia_diz_ex-colombiano_fernando_vallejo&cod_Post=111974&a=96

VEJA VÍDEO DO VALLEJO NA FLIP:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/videocasts/ult10038u419009.shtml
Escrito por Rubens Molina às 01h06
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UMA RAPIDINHA EM NOSSA LÍNGUA...
 
Redação feita por uma aluna do curso de Letras, da UFPE Universidade Federal de Pernambuco (Recife), que venceu um concurso interno promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa.
Redação:
Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto. Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta. Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história. Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino. O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.
OBRIGADO AYLVA!

Escrito por Rubens Molina às 22h59
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BRAVO SUSAN, BRAVO!
SUSAN EM SARAJEVO
Domingo passado, 15/06, a Folha publicou um trecho do livro "Nadando em um mar de Morte, Memórias de um filho" de David Rieff. David é filho de Susan Sontag e sua descrição dos cânceres e da Morte da mãe é impressionante e só consegui parar no final do texto.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1506200806.htm
Quem não for assinante da Folha e do Uol é só me pedir por email que eu mando:
rubensmolina@uol.com.br
Susan teve seu 1o câncer em 1975, de Mama, e submeteu-se à cirurgia com mastectomia radical seguida de quimioterapia de 30 anos atrás. Brabeira pouca é bobagem. Apostou e ganhou, curou-se!
O 2o foi um Sarcoma uterino, que ela tirou de letra, depois de acompanhar as mortes de diversos amigos aidéticos e ter estado em Sarajevo. Era frequentadora de cemitérios e a morte era uma obsessão para ela. Morria de medo de morrer sempre achando que não morreria. Não conseguia conceber a morte o que muitos chamam de negação/denegação. Tudo isto em 1998.
Em 2004 soube que estava com Síndrome Miélo-Displásica, precursora de Leucemia, que não regride. Até os 50 anos pode ser tratada e curada por transplante de células tronco adultas ou Medula. Avisada pelos médicos do intenso sofrimento que isto acarretaria, tinha 71 anos, resolve fazer de novo a aposta de que se curará mais uma vez. O nome disto é Fé que nos impulsiona a lançar os dados de novo, já que não há outra alternativa. Seu filho diz que ela estava sempre distante dos blábláblá Psy-chic como a Teoria da morte de Elisabeth Kubler-Ross de 5 fases: 1a-Negação, 2a-Raiva, 3a-Barganha, 4a-Depressão e 5a-aceitação. Não acreditava que as pessoas pudessem atrair para sí as doenças. As fases da Dona Elisabeth podem ser vistas no filme "All that Jazz" que é ótimo.
DAVID RIEFF
É bom relembrar que a obstinação da não aceitação da Morte não é Denegação. Não se pode Denegar o que não foi afirmado. Não há no Cérebro Humano alguma representação da Morte. Para nós a Morte é Impossível e não pode ser conhecida, ela é incognoscível. Justamente por ser impossível e não haver é que, como disse Freud, a desejamos tanto. Susan encarnava esta nossa verdade e dela, já que não é possível, não abria mão. Quando soube que o transplante não havia dado certo esmurrou o leito e disse: "Mas isto quer dizer que estou morrendo?" BRAVO SUSAN, BRAVO!
 
Escrito por Rubens Molina às 02h17
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